Médica explica como a transição hormonal da mulher pode coincidir com a adolescência dos filhos e impactar o cotidiano familiar
A perimenopausa, fase de transição que antecede a menopausa, raramente chega sozinha. Para muitas mulheres, ela acontece justamente quando os filhos entram na adolescência — um período igualmente marcado por intensas mudanças hormonais, emocionais e comportamentais.
Segundo a Dra. Andrea Renesto, médica, esse “encontro de fases” costuma gerar um impacto silencioso na rotina familiar, especialmente para mulheres que acumulam múltiplos papéis.
“Enquanto a mulher segue dando conta da casa, do trabalho, da família e das responsabilidades diárias, o corpo começa a sinalizar que algo está mudando”, explica a médica.
O que acontece com o corpo da mulher na perimenopausa
Durante a perimenopausa, é comum que a mulher enfrente uma série de alterações físicas e emocionais, como:
ciclos menstruais irregulares e flutuações hormonais
aumento do cansaço e da fadiga
mudanças no sono, no humor e na energia do dia a dia
Essas transformações muitas vezes não são imediatamente reconhecidas como parte de um processo fisiológico, o que pode gerar confusão, frustração e culpa.
Ao mesmo tempo, a adolescência começa do outro lado
Enquanto a mulher atravessa essa transição, os filhos entram na adolescência — fase marcada pelo início da produção hormonal intensa e pela reorganização emocional.
Nesse período, são comuns:
emoções mais intensas e instáveis
reações amplificadas
maior necessidade de autonomia e descoberta
um corpo e uma mente aprendendo a lidar, pela primeira vez, com um turbilhão de sentimentos
Duas transições, um mesmo ambiente
De um lado, um organismo em transição hormonal.
Do outro, um organismo vivendo o impacto do amadurecimento hormonal pela primeira vez.
“São momentos diferentes, mas que acontecem simultaneamente, muitas vezes dentro do mesmo lar”, destaca a Dra. Andrea Renesto.
O resultado costuma aparecer no cotidiano: menos paciência, mais irritabilidade, maior sensibilidade emocional, conflitos que surgem sem grandes motivos e uma sensação constante de cansaço.
Não é falta de vínculo, é fase
De acordo com a médica, esses conflitos não significam falha na maternidade ou fragilidade no vínculo familiar.
“A mulher atravessa a perimenopausa. Os filhos atravessam a adolescência. Ambos precisam de compreensão, não de cobrança”, reforça.
Reconhecer essa dinâmica ajuda a mudar a forma como os conflitos são interpretados — e reduz a culpa silenciosa que muitas mulheres carregam.
Quando há compreensão, o ambiente muda
Ao entender que esse período é marcado por ajustes hormonais e emocionais dos dois lados, a mulher tende a se culpar menos, e a relação familiar ganha:
mais espaço para escuta
menos confrontos desnecessários
mais empatia e equilíbrio emocional
Conclusão
A perimenopausa não acontece no vácuo. Para muitas mulheres, ela coincide com uma fase desafiadora da vida dos filhos. Entender esse contexto é essencial para atravessar o período com mais consciência, menos culpa e relações mais saudáveis.