Após apresentadora descobrir aneurisma aos 51 anos, especialista alerta sobre riscos

Neurocirurgião Dr. Paulo Porto de Melo explica como dores de cabeça intensas e sintomas podem indicar condições graves, como aneurisma cerebral

O relato recente de uma apresentadora de 51 anos, que descobriu um aneurisma cerebral após acreditar que sofria apenas de enxaqueca, chamou atenção para um tema que costuma ser negligenciado por muita gente: quando uma dor de cabeça deixa de ser “comum” e passa a ser um sinal de alerta.

A situação levantou discussões nas redes sociais sobre sintomas neurológicos que frequentemente são minimizados, especialmente por pessoas que convivem há anos com crises de enxaqueca ou rotina intensa de trabalho.

Segundo o neurocirurgião e neurologista Paulo Porto de Melo, embora a maioria das dores de cabeça seja causada por condições benignas, alguns sinais exigem avaliação médica imediata.

“Enxaqueca normalmente tem um padrão conhecido pelo paciente. Ela costuma começar aos poucos, piora progressivamente e vem acompanhada de sintomas como sensibilidade à luz, enjoo e dor pulsátil. Já a dor causada por um aneurisma roto costuma ser completamente diferente: súbita, explosiva e extremamente intensa”, explica.

O especialista afirma que muitos pacientes descrevem o quadro como “a pior dor de cabeça da vida”.

“É aquela dor que atinge intensidade máxima em segundos, como um trovão. Muitas vezes vem acompanhada de vômitos, rigidez na nuca, sonolência, confusão mental ou até desmaio”, alerta.

Sinais neurológicos que precisam de atendimento imediato

De acordo com Dr. Paulo Porto de Melo, existem sintomas que jamais devem ser ignorados ou tratados apenas com automedicação.

Entre os principais sinais de alerta estão:

dor de cabeça súbita e muito intensa;
alteração na fala;
perda de força em um lado do corpo;
dormência repentina;
visão dupla ou perda visual;
confusão mental;
desmaios;
convulsões.

“Esses sintomas podem estar ligados a AVC, hemorragias cerebrais, aneurisma roto e outras condições graves. O tempo faz diferença direta nas sequelas e até na sobrevivência do paciente”, afirma.

Aneurisma pode ficar anos sem sintomas

O médico explica que muitos aneurismas cerebrais permanecem silenciosos durante anos e só são descobertos em exames de imagem feitos por outros motivos.

“A maioria dos aneurismas não dá sintomas claros. Em alguns casos, porém, o paciente pode apresentar dores persistentes atrás dos olhos, visão dupla, queda da pálpebra ou uma dor de cabeça muito diferente do habitual dias antes da ruptura”, diz.

Esse episódio é conhecido como “cefaleia sentinela” e pode funcionar como um aviso do organismo.

“Quando o paciente procura atendimento nessa fase, muitas vezes conseguimos diagnosticar antes de uma hemorragia mais grave”, destaca.

“Dor de cabeça recorrente precisa de diagnóstico”

Após o caso da apresentadora ganhar repercussão, especialistas também reforçaram a importância de não banalizar dores frequentes.

“Nem toda dor de cabeça é aneurisma, claro. Mas dores recorrentes precisam ser investigadas, principalmente quando mudam de padrão, ficam mais intensas ou passam a vir acompanhadas de sintomas neurológicos”, explica o neurologista.

Segundo ele, um dos maiores problemas é que muitas pessoas se acostumam a conviver com a dor e acabam adiando a procura por ajuda.

“Muita gente normaliza os sintomas, se automedica e continua a rotina. Existe também medo de descobrir algo grave. Mas dores súbitas, intensas e diferentes do habitual nunca devem ser ignoradas”, finaliza.

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