Mercado wellness cresce e transforma saúde e bem-estar em oportunidade de negócio

Empresário e contador Cláudio Lasso analisa como a busca por longevidade, saúde e qualidade de vida vem criando novos negócios e mudando a relação das empresas com o bem-estar

O mercado de wellness vem ganhando espaço na economia ao acompanhar uma mudança no comportamento do consumidor. O que antes era associado principalmente a academias, suplementação e estética passou a envolver uma cadeia mais ampla de produtos e serviços ligados à saúde, longevidade, desempenho e qualidade de vida.

A expansão desse mercado também abre espaço para novos modelos de negócio. Para o empresário e contador Cláudio Lasso, o movimento reflete uma transformação na forma como consumidores e empresas enxergam o investimento em saúde e bem-estar.

“Organizações perceberam que profissionais saudáveis produzem mais, adoecem menos, apresentam menor índice de absenteísmo, maior capacidade de concentração e melhor desempenho na tomada de decisões. Da mesma forma, indivíduos compreenderam que cuidar da saúde não representa apenas viver mais, mas viver melhor”

Na avaliação de Lasso, o crescimento do wellness está relacionado às mudanças na rotina da sociedade e à busca por soluções que ajudem a equilibrar produtividade e qualidade de vida.

“Vivemos uma sociedade marcada por altos níveis de estresse, jornadas intensas, excesso de informação, sedentarismo e doenças crônicas cada vez mais precoces. Ao mesmo tempo em que a tecnologia acelerou processos e aumentou a produtividade, também reduziu o tempo destinado ao autocuidado. O mercado wellness cresce justamente porque oferece respostas para esse novo contexto. Ele reúne soluções que envolvem atividade física, nutrição, suplementação, recuperação muscular, qualidade do sono, saúde mental, fisioterapia, medicina preventiva e hábitos capazes de melhorar a performance humana de forma sustentável”.

Além de atender a uma demanda relacionada à qualidade de vida, o setor acompanha uma mudança na percepção do consumidor sobre o próprio conceito de saúde. Segundo o empresário, cada vez mais pessoas passaram a enxergar esse cuidado como um investimento de longo prazo.

“Essa mudança de mentalidade influencia diretamente o comportamento do consumidor. Hoje existe maior disposição para investir em alimentação de qualidade, programas de treinamento, acompanhamento profissional e produtos que contribuam para o desempenho físico e cognitivo. Não se trata apenas de estética. Trata-se de preservar a capacidade de trabalhar, empreender e aproveitar a vida durante mais tempo”.

Essa transformação também chega às empresas. O bem-estar dos funcionários começa a ser incorporado às estratégias de gestão, especialmente em organizações que buscam melhorar a retenção de talentos e a produtividade.

“Empresas que promovem qualidade de vida conseguem atrair e reter talentos com maior facilidade, fortalecem sua cultura organizacional e reduzem custos relacionados a afastamentos e baixa produtividade. O conceito de performance deixou de estar associado exclusivamente a metas financeiras. Cada vez mais, organizações entendem que resultados consistentes dependem da saúde das pessoas que os produzem”.

Do outro lado dessa relação estão consumidores mais atentos às experiências oferecidas pelas marcas e aos valores associados aos produtos e serviços que escolhem. Para Lasso, esse comportamento ajuda a explicar a diversificação do mercado wellness.

“Isso explica o crescimento acelerado de segmentos como suplementação, alimentos funcionais, corrida de rua, triathlon, ciclismo, recuperação esportiva, academias boutique, tecnologia voltada ao monitoramento da saúde e serviços personalizados de acompanhamento físico e nutricional. O wellness deixou de ser um nicho para se tornar parte da economia do comportamento”.

A oportunidade para os empreendedores também está relacionada à possibilidade de criar negócios com maior recorrência e relacionamento de longo prazo com o consumidor. Na visão de Lasso, esse é um dos diferenciais do setor.

“Como contador, observo ainda um fenômeno interessante. Negócios ligados ao bem-estar apresentam uma capacidade significativa de gerar recorrência. Diferentemente de mercados baseados em compras ocasionais, empresas de wellness constroem relacionamentos de longo prazo. O cliente não compra apenas um produto; ele compra uma mudança de estilo de vida. Isso cria previsibilidade de receita, fortalece a fidelização e aumenta o valor da marca ao longo do tempo”.

Apesar das oportunidades, a expansão do segmento também aumenta a concorrência e exige uma gestão mais profissional. Para Lasso, empresas que desejam crescer nesse mercado precisarão combinar inovação com planejamento e credibilidade.

“A expansão do mercado trouxe inúmeras oportunidades, mas aumentou a necessidade de profissionalização, planejamento tributário, gestão financeira, compliance regulatório e posicionamento estratégico. Empresas que desejam permanecer relevantes precisarão combinar inovação com credibilidade, ciência e transparência. O consumidor está mais informado e tende a valorizar organizações que entregam resultados consistentes, fundamentados em conhecimento técnico e relacionamento de confiança”.

A tendência, segundo o empresário, é que o wellness avance para diferentes setores da economia e deixe de ser percebido como um segmento restrito. O movimento pode abrir espaço para novos produtos, serviços e modelos de negócio.

“Nos próximos anos, o wellness deixará de ser visto como um segmento específico para se consolidar como parte integrante da economia moderna. A discussão não será mais sobre viver mais anos, mas sobre viver esses anos com autonomia, saúde e capacidade produtiva”.

Essa mudança também altera a maneira como consumidores e empresas pensam sobre patrimônio e planejamento de longo prazo.

“Talvez essa seja a maior mudança de paradigma da nossa geração. Durante décadas, investimos quase exclusivamente na construção do patrimônio financeiro. Agora começamos a compreender que existe um patrimônio ainda mais valioso: o capital biológico. Sem saúde física, equilíbrio emocional e qualidade de vida, qualquer patrimônio perde parte do seu significado”.

Para Lasso, o avanço do setor está ligado justamente à capacidade de transformar uma necessidade cotidiana em uma nova frente de negócios.

“O mercado wellness cresce porque responde a uma necessidade real da sociedade contemporânea. Mais do que vender produtos ou serviços, ele entrega algo que se tornou escasso: a possibilidade de viver com mais energia, longevidade e desempenho. Para as pessoas, representa qualidade de vida. Para as empresas, representa produtividade, inovação e sustentabilidade. E para a economia, representa um dos setores mais promissores das próximas décadas”.