Do balcão ao WhatsApp: a estratégia de panfletagem Digital que potencializa o delivery das farmácias

O varejo farmacêutico brasileiro vive uma transformação pouco conhecida, porém profunda. Em meio à expansão das grandes redes, da digitalização acelerada e da competição por atenção, um método vem ganhando força e redesenhando a relação entre farmácias e consumidores: a panfletagem digital. A técnica parte de uma analogia simples, e muito poderosa, com o antigo panfleto de rua, que durante décadas foi um dos principais mecanismos de divulgação do comércio local. A diferença é que, agora, o panfleto circula nas telas, aparece para quem realmente tem interesse e leva o cliente diretamente para o canal de vendas da farmácia.

Segundo Vitor Eloi Nunes dos Santos, sócio da Agile Digital, a mudança é inevitável. “O digital é o presente. Se a farmácia não se posiciona no Instagram, no Facebook e no Google, ela simplesmente fica para trás. Hoje, panfletagem não é tendência, é realidade. Ou você aparece na tela do cliente, ou você desaparece para ele”, afirma. A lógica por trás da panfletagem digital é precisa. Em vez de distribuir milhares de folhetos físicos, que muitas vezes acabam amassados no bolso ou descartados antes mesmo de serem lidos, o anúncio digital só é visto e clicado pelo consumidor que demonstra intenção real de compra. Redes sociais como Instagram e Facebook, além do Google, tornaram-se o novo território onde a farmácia se apresenta, conquista audiência e atrai moradores do próprio bairro para seu WhatsApp, telefone e delivery.

Trata-se de um método validado em centenas de lojas no país e que se consolida como uma das mais eficientes estratégias de captação de clientes novos no varejo de saúde.
Tudo começa pela escolha dos produtos que serão anunciados. Diferentemente do que muitos imaginam, não é qualquer item que figura no encarte digital. Esses produtos funcionam como iscas: precisam ter alta demanda, boa saída na região e um preço competitivo o suficiente para despertar curiosidade e incentivar o clique. Victor explica que “não existe panfletagem digital eficaz sem boas iscas. São esses produtos de alto giro e bom preço que fazem o cliente clicar, chamar no WhatsApp e conhecer a farmácia”. Categorias como perfumaria, linha infantil, dermocosméticos, suplementação e medicamentos não tarjados costumam alcançar desempenho acima da média. São itens de compra recorrentes, conhecidos pelo público e capazes de atrair atenção imediata. A seleção é dinâmica e exige testes constantes, porque cada bairro, cada cidade e cada perfil de cliente reage de forma diferente às ofertas.

Com os produtos definidos, entra em cena a distribuição dos anúncios. A panfletagem digital utiliza a segmentação geográfica para alcançar somente as pessoas que vivem no raio de entrega do estabelecimento. A partir daí, o conteúdo começa a aparecer repetidamente no feed e nos stories, criando familiaridade e fortalecendo a marca localmente. Vídeos com pessoas reais da farmácia apresentam desempenho ainda melhor, porque humanizam a experiência e reforçam a proximidade com o consumidor. “Rede social foi feita para pessoas, não para marcas. Quando o rosto do atendente aparece, quando alguém apresenta um produto, o resultado dispara”, explica Vitor.

É nesse ponto que marketing e vendas se encontram. O anúncio entrega o cliente para o WhatsApp, mas a conversão depende inteiramente do atendimento. O consumidor que chega pelo digital está em primeiro contato com a farmácia; ainda não conhece a logística, o prazo de entrega, a cordialidade da equipe ou a confiabilidade do serviço. Por isso, o atendimento precisa ser rápido, profissional e padronizado. Jonas Bertolin, Ceo da Agile Digital, reforça: “O marketing acaba quando o WhatsApp apita. Depois disso, é venda. E venda não acontece sem processo, sem padronização e sem velocidade. O cliente que chega pelo anúncio precisa sentir confiança na primeira mensagem”.

Respostas claras, gramática correta, cordialidade e um fluxo organizado reduzem ruídos e criam uma experiência positiva. Pequenas mudanças, como mensagens mais objetivas, emojis usados com cuidado ou um roteiro bem estruturado, fazem diferença significativa na percepção de qualidade. Jonas explica que a taxa de conversão depende diretamente dessas práticas: “O mercado opera com 10% a 20% de conversão. Com metodologia, organização e treinamento, dá para chegar a 30%, 40% ou até 50%. Não é milagre — é processo. Uma farmácia com mil contatos no mês pode sair de 150 vendas para mais de 400. Isso muda o jogo”.

Mas a estratégia não termina na primeira venda. A fidelização é a etapa que garante retorno contínuo e cria uma base sólida de clientes recorrentes. Para isso, ferramentas como pós-venda ativo, mensagens personalizadas e acompanhamento de quem utiliza medicamentos de uso contínuo tornam-se fundamentais. Além dessas práticas, um recurso tem se destacado como um dos mais eficientes no varejo: os grupos VIP no WhatsApp. Neles, a farmácia compartilha ofertas exclusivas, realiza pesquisas e desenvolve um senso de comunidade que aumenta o engajamento e multiplica indicações espontâneas entre familiares e amigos. Vitor descreve esses grupos como “a melhor forma de agradar gregos e troianos”: “Quando a farmácia envia ofertas específicas para cada dia da semana, a mãe que busca fralda sabe quando olhar o grupo, o atleta sabe quando vai ter creatina e o cliente do genérico sabe quando esperar o melhor preço. Isso fideliza de verdade”.

É um canal de baixo custo, altíssima conversão e enorme capacidade de criar vínculo. Jonas sintetiza a importância dessa etapa: “Não é só vender mais na primeira compra. É fazer o cliente voltar. E voltar com frequência. A farmácia que entende isso transforma o delivery em seu maior ativo”. A panfletagem digital, portanto, não é apenas uma estratégia de marketing. É um método completo que integra atração, atendimento e fidelização em um ciclo contínuo, capaz de transformar farmácias de bairro em referências regionais. Num mercado em que a presença digital deixou de ser opcional, essa abordagem se mostra indispensável para quem deseja competir com grandes redes e ampliar suas vendas no delivery.

O consumidor mudou, os hábitos mudaram e a farmácia que deseja crescer precisa estar presente no mesmo ambiente onde seu cliente está: no celular, no cotidiano, nas redes sociais. “A panfletagem digital não reinventa o varejo; ela o atualiza para o presente. E nesse novo contexto, quem aprende a panfletar digitalmente conquista território, aumenta faturamento e torna sua marca parte da rotina da comunidade que atende”, finaliza Vitor.