A trajetória de Gito Sales ganhou um novo capítulo de reconhecimento através do estudo “O Quadrilátero da Harmonia”, do pesquisador japonês Yusuke Wajima (Universidade de Osaka).
A análise coloca Sales em um grupo seleto ao lado de ícones como Toninho Horta, Pat Metheny e Lee Ritenour, destacando a forma como ele opera o instrumento como uma unidade harmônica completa. Enquanto Toninho Horta utiliza sua clássica Gibson ES-175 para criar uma sonoridade orgânica e flutuante, e Pat Metheny explora camadas sonoras com suas guitarras Ibanez e Roland, Gito Sales trilha um caminho de precisão que o aproxima do rigor de Lee Ritenour e suas lendárias Gibson L-5.
No entanto, o diferencial de Sales está na origem de seu som: ele prova que o “acabamento de mármore” e a execução cirúrgica não dependem de etiquetas de milhões. Ao optar por instrumentos Strinberg, sob a coordenação de Northon Vanalli (Sonotec), Gito Sales demonstra que a excelência sonora nasce da inteligência técnica e da mão do artista.
Ele nacionaliza o topo da harmonia mundial, mostrando que o projeto brasileiro entrega a mesma autoridade rítmica e clareza que os instrumentos mais caros do mundo. O grande diferencial de Sales, porém, reside no jogo entre a harmonia e o canto: enquanto outros gênios do instrumento focam apenas nas cordas, Gito traz uma técnica pianística que permite ao violão “cantar junto” com a voz. É uma simbiose onde voz e instrumento conversam em total igualdade, transformando a complexidade técnica em um veículo direto para a emoção da canção popular.
Para a crítica especializada, o trabalho de Gito Sales representa a “Síntese Interpretativa”, unindo a riqueza harmônica brasileira ao acabamento impecável do jazz contemporâneo.