Cândida Cataldi: saúde mental na empresa ainda é vista como custo e já é hora de mudar essa conta

Colaboradores adoecidos custam mais do que qualquer investimento em intervenção. Especialista aponta que a pergunta certa não é se a empresa pode investir nisso, mas quanto está perdendo por não investir

Por Cândida Cataldi | Psicanalista Estrategista de Carreira e Negócios com Saúde Mental Integrada, Conselheira de Expansão com 20 anos de trajetória

Existe um argumento que ainda circula em salas de reunião de PMEs e grandes empresas com uma frequência que deveria preocupar: saúde mental é importante, mas não é o momento.
Esse argumento tem um custo. E ele é calculável. A psicanalista estrategista Cândida Cataldi aponta: para cada R$ 1 investido em saúde mental corporativa, o retorno em produtividade é de R$ 4, segundo análise da Organização Mundial da Saúde. Nenhuma linha de orçamento tem esse ROI.

35%de redução de produtividade causada por absenteísmo e presenteísmo combinados. O colaborador está presente, mas não está.
Fonte: Gallup · Harvard Business Review

4xo retorno em produtividade para cada real investido em saúde mental corporativa. O investimento com maior ROI documentado em gestão de pessoas.
Fonte: Organização Mundial da Saúde (OMS)

“A hipervigilância não é visível no relatório de horas trabalhadas. Mas ela está presente em cada decisão que demorou mais do que deveria, em cada ideia que não foi dita, em cada conflito que explodiu porque ninguém tinha segurança para falar antes.”

A biologia que ninguém coloca na planilha

Quando um colaborador opera em estado de hipervigilância, com ansiedade crônica, medo de punição e ambiente imprevisível, o sistema nervoso ativa o circuito de sobrevivência. O córtex pré-frontal, responsável por tomada de decisão, criatividade e resolução de problemas, perde acesso a até 40% de sua capacidade funcional.

O colaborador continua aparecendo, continua cumprindo tarefas, mas entrega uma fração do que poderia entregar em campo seguro. Isso significa que a empresa está pagando 100% do salário e recebendo 60% da capacidade, no melhor dos casos.

O que o terapeuta vê que o gestor não vê

Quando a entrega atrasa, quando o conflito se repete, quando alguém se afasta do time, o gestor enxerga o comportamento. O terapeuta enxerga o padrão por trás dele.

O olhar clínico identifica dinâmicas de grupo que travam a colaboração antes mesmo de virarem conflito aberto, sobrecarga emocional disfarçada de produtividade, talentos em silêncio que estão quase em burnout, culturas de desempenho que adoeciam quem performava mais.

O problema que PMEs e grandes empresas compartilham

A empresa contrata um psicólogo, instala um aplicativo de meditação, anuncia o Setembro Amarelo com um post bonito no LinkedIn. E mantém intactas as estruturas que adoecem as pessoas.

O clima de uma equipe não muda com boa vontade. Muda com a conversa certa e com estruturas que a sustentam.

“A pergunta certa não é se podemos investir nisso. É quanto estamos perdendo por não investir.”

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