O tenor Felipe Menegat prepara-se para um novo capítulo de sua trajetória artística. A partir de 15 de outubro, o cantor realizará uma turnê por Portugal, com recitais de piano e voz em centros culturais de Lisboa e Porto. O repertório reunirá árias de ópera, clássicos do canto italiano, um fado eternizado por Amália Rodrigues e uma interpretação especial de “Copacabana”.
O interesse de Menegat pela música clássica e sacra começou ainda na infância. Aos 10 anos, ao interpretar “Ave Maria”, de Franz Schubert, ele percebeu a capacidade de sua voz para emocionar o público. A experiência tornou-se decisiva para que enxergasse no canto lírico não apenas uma vocação, mas também um caminho profissional.
Ao longo de sua formação, o tenor estudou com importantes professores, entre eles a soprano Leila Guimarães. O cuidado com a voz, a valorização de seu timbre natural e a preservação de sua identidade artística tornaram-se pilares de sua carreira. Menegat também encontrou em Luciano Pavarotti uma de suas maiores referências no universo do bel canto.
Sua trajetória é marcada pela combinação entre música erudita, canto sacro e clássicos populares internacionais. Essa diversidade ganhou espaço em projetos como “Felipe Menegat in Concert”, “Felipe Menegat Romance” e “Clássicos”, trabalho mais recente realizado em dueto com a cantora cubana Indira Castro.
A turnê internacional representa uma oportunidade de apresentar seu trabalho a um público reconhecido pela tradição e pelo conhecimento do canto lírico. Para enfrentar esse desafio, o tenor intensificou os cuidados com a voz, a preparação das árias e a organização de sua rotina.
Além das apresentações, a passagem pela Europa poderá render registros audiovisuais, novos projetos e possíveis parcerias com artistas estrangeiros. Na entrevista a seguir, Felipe Menegat fala sobre sua formação, suas influências, a relação emocional com a Europa e as expectativas para a turnê.
A turnê internacional representa uma oportunidade de apresentar seu trabalho a um público reconhecido pela tradição e pelo conhecimento do canto lírico
Confira a entrevista com Felipe Menegat
Seu interesse pela música clássica e sacra começou ainda na infância. Em que momento você percebeu que possuía uma voz diferenciada e poderia construir uma carreira como tenor?
Felipe Menegat – Lembro da primeira vez em que cantei “Ave Maria”, de Franz Schubert, aos 10 anos. Naquele momento, provoquei em mim uma emoção diferente e também percebi algo especial nas pessoas que me escutavam. Depois daquele dia, acreditei que esse “modo” de cantar faria parte da minha vida para sempre.
Sua formação musical contou com importantes professores, entre eles a soprano Leila Guimarães. Quais ensinamentos foram decisivos para o desenvolvimento de sua técnica e identidade artística?
FM – Tive formadores importantes em minha trajetória na música até aqui. O maior ensinamento que guardo e procuro viver até hoje é o cuidado com a minha voz e com a sua naturalidade. Busco ter o meu timbre sempre valorizado por meio da técnica, mas sem nunca perder a minha essência vocal.
Em outubro, você embarca para uma nova turnê pela Europa. Quais países e cidades estão previstos no roteiro e como surgiu esse convite?
FM – Terei a alegria de cantar para o público português, em locais voltados para a cultura como um todo. Os convites surgiram, posso dizer, pelo reconhecimento ao meu modo interpretativo do bel canto, especialmente do canto italiano. A partir de 15 de outubro, levarei alguns recitais de piano e voz a centros culturais de Lisboa e Porto.
Qual será o repertório apresentado ao público europeu? Haverá espaço para músicas brasileiras ou canções que representem suas raízes?
FM – O canto italiano sempre me acompanha. Isso é parte de mim. Sem dúvida, o público espera essas músicas no meu repertório. Estou preparando um fado de Amália Rodrigues para reverenciar essa linda terra e, a pedidos, apresentarei também a minha interpretação de “Copacabana” em terras lusitanas.
Você já se apresentou na Itália, país ligado à história de sua família. Retornar à Europa provoca uma emoção diferente?
FM – Voltar à Europa é sempre ter a certeza de um sentimento para mim: emoção. No Velho Mundo, eu me encontro. Respiro minha música de uma forma diferente. Consigo imaginar o que talvez minha família tenha sentido ao deixar aquele mundo tão belo em busca de algo novo e desafiador. Estar na Europa é viver o amor que pulsa de forma autêntica em minha vida, pela música e pela própria vida.
Como está sendo sua preparação vocal, física e emocional para enfrentar a sequência de apresentações da turnê?
FM – Reduzi muitas coisas. Foquei na preparação das árias de ópera que apresentarei e também em manter uma rotina o mais ordenada possível, diminuindo as distrações. Acredito que estarei preparado para que o povo português conheça o melhor de Felipe Menegat.
O público europeu possui grande tradição no canto lírico. Essa característica aumenta a responsabilidade ou funciona como estímulo para suas apresentações?
FM – Com certeza. Esse público é exigente e conhece cada detalhe do que estamos cantando. Já presenciou grandes nomes em seus teatros e salas de espetáculo. Isso só aumenta a responsabilidade e chega a ser um ponto fundamental para esta preparação.
Sua carreira transita entre a música erudita, o canto sacro e clássicos populares internacionais. Como você equilibra esses estilos sem perder sua identidade como tenor?
FM – Costumo dizer que o público recebeu muito bem os projetos “Felipe Menegat in Concert” e “Felipe Menegat Romance”, além do trabalho mais recente, “Clássicos”, em dueto com a cantora cubana Indira Castro. Isso me encheu de alegria. Pude circular por estilos muito diversos mantendo o meu modo de cantar. A identidade do canto lírico sempre me acompanhará e acredito que seja justamente isso que acaba sendo o meu diferencial.
Você já prestou homenagens a Luciano Pavarotti e frequentemente é associado ao repertório eternizado pelo cantor italiano. De que maneira ele influenciou sua trajetória?
FM – Gosto de dizer que Luciano Pavarotti é o meu santo de devoção no bel canto (risos). Sempre busquei e continuo buscando em Pavarotti a minha maior inspiração, seja em seu modo de cantar, seja em sua maneira única de viver a dolce vita. Pavarotti soube tornar a música parte de si, como se não existisse Pavarotti sem música, nem música sem Pavarotti.
Muitos brasileiros ainda consideram a música erudita distante ou elitizada. O que poderia ser feito para aproximar esse gênero de um público mais amplo e mais jovem?
FM – Torná-la mais atraente, como fizeram os grandes mestres, e não apenas panfletária, com interesses sociológicos. A música salva e encontra a todos. Pavarotti nos ensinou isso por meio dos grandes concertos que levou ao redor do mundo. Andrea Bocelli faz isso até os dias atuais. A música é encontro, e não ruptura, independentemente do público que ela alcança.
Entre todas as obras que interpreta, existe alguma que represente especialmente sua história ou que provoque uma emoção diferente quando você sobe ao palco?
FM – “Ave Maria”, para mim, é a música que sempre me emociona. Não sei cantá-la, ou melhor, rezá-la, sem me emocionar.
Quais são os maiores desafios enfrentados atualmente por um tenor brasileiro que deseja construir uma carreira internacional?
FM – Estar sempre preparado para uma oportunidade. As seleções e os contratantes são exigentes, e isso requer uma disposição permanente para a excelência. É isso que estou aprendendo.
A turnê europeia poderá gerar registros audiovisuais, novos projetos musicais ou possíveis parcerias com artistas estrangeiros?
FM – Com certeza. Estamos pensando nisso como um diferencial para esta passagem pela Europa.
Depois da passagem pela Europa, quais serão os próximos passos de sua carreira e o que o público brasileiro pode esperar de Felipe Menegat?
FM – Acredito que esse será um passo importante. Voltarei com energia e experiência renovadas, e meu público querido perceberá um Felipe ainda mais entusiasmado em fazer boa música
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