O que é o Cinzambi? Conheça a religião baseada em ancestralidade, liberdade e fé no hoje

Ainda pouco conhecida pelo grande público, o Cinzambi é uma religião fundada por Mãe Sara Oni em 2016 e construída a partir da ancestralidade, do culto aos Orixás e de uma proposta de aproximação entre o ser humano e a espiritualidade. Entre seus principais fundamentos estão o respeito, o amor, a disciplina, a liberdade, a responsabilidade e a chamada “fé no hoje”.

Mas, afinal, o que é o Cinzambi?

A palavra que dá nome à religião significa “Deus aqui” e representa uma das ideias centrais de sua doutrina: a presença da espiritualidade na vida cotidiana. A própria bênção do Cinzambi é chamada de Ominirá, palavra que significa liberdade.

A religião foi fundada com a proposta de tornar menos complexa a relação entre o ser humano e os Orixás, valorizando a ancestralidade e a compreensão de que a espiritualidade também faz parte da existência humana.

Dentro do Cinzambi, os Orixás são entendidos como ancestrais superiores e ocupam um papel fundamental na caminhada espiritual. A religião cultua 18 Orixás, entre eles Eshú Orixá, Mãe Iansã, Mãe Iemanjá, Pai Obaluaê e Pai Oxalá, cada um dentro de seus próprios fundamentos e funções espirituais.

Os cultos e ritos envolvem rezas, invocações, comidas votivas e sacralizações. A relação com os Orixás também está diretamente ligada à ancestralidade, considerada uma das bases para compreender a própria existência.

Um culto sem imagens

Uma das características que pode despertar a curiosidade de quem conhece o Cinzambi pela primeira vez está na forma como os espaços religiosos são organizados.

Diferentemente de tradições em que imagens ocupam lugar de destaque nos altares, o Cinzambi não utiliza representações em imagens dos Orixás. A conexão com o sagrado acontece por meio de pedras e outros elementos utilizados dentro dos fundamentos da religião.

Essa escolha está relacionada à maneira como o Cinzambi compreende a presença e a força dos Orixás. Parte dos conhecimentos e rituais também permanece dentro do campo do mistério e não é exposta publicamente.

Espírito, matéria e emoções

Outro fundamento importante do Cinzambi está na compreensão do ser humano como um espírito que vive uma experiência material.

A religião trabalha com uma relação entre espiritualidade, emoções e matéria, buscando compreender o indivíduo de maneira integrada. A espiritualidade ocupa um papel central, mas o equilíbrio da vida também passa pelas experiências emocionais e materiais.

Nesse sentido, a chamada “fé no hoje” aparece como uma das principais mensagens do Cinzambi. A proposta é trazer a fé para o presente, entendendo a espiritualidade não apenas como uma expectativa pelo futuro, mas como algo que participa das escolhas e da vida cotidiana.

Liberdade também significa responsabilidade

No Cinzambi, liberdade não significa ausência de consequências. A religião trabalha com conceitos como predestinação, destino e consequências, entendendo que a caminhada de cada pessoa também pode ser atravessada por intervenções espirituais. Por isso, nem sempre aquilo que acontece corresponde diretamente ao que foi plantado, seja para o bem ou para o mal.

Os Odus e os búzios fazem parte dos instrumentos utilizados para orientação espiritual. O búzio ocupa um lugar de destaque entre os oráculos do Cinzambi, enquanto cartas e outros recursos também podem ser utilizados em processos de consulta.

Conhecer um caminho, dentro dessa visão, não significa necessariamente estar preso a ele. A liberdade de escolha permanece como um dos fundamentos da experiência religiosa.

Uma religião construída sobre respeito

O respeito aparece como um dos principais valores do Cinzambi, tanto na relação entre as pessoas quanto na relação com a espiritualidade e com os Orixás.

A preservação dos fundamentos também se estende à maneira como Eshú e Pombagira são compreendidos dentro da religião. O Cinzambi busca afastar representações vulgarizadas ou estereotipadas dessas figuras e apresentá-las a partir de seus próprios fundamentos espirituais.

A proposta é manter a identidade, a ancestralidade e os conhecimentos da religião, preservando aquilo que pertence ao espaço sagrado e, ao mesmo tempo, tornando seus ensinamentos acessíveis para quem deseja conhecê-los.

Conhecer antes de decidir

Para quem se interessa pelo Cinzambi, a orientação é que a aproximação aconteça sem pressa. A religião defende que a pessoa conheça seus fundamentos, compreenda sua proposta e encontre, por conta própria, uma identificação espiritual.

“Religião não é para os apressados. Religião é para os constantes, coerentes, consistentes”, afirma Mãe Sara Oni.

A ideia é que ninguém seja levado a uma escolha pelo medo ou pela pressão do medo, mas pelo conhecimento e pela identificação com aquilo que a religião apresenta.

Com seus próprios ritos, valores e formas de compreender a ancestralidade, o Cinzambi vem construindo uma identidade religiosa própria. Para quem conhece a tradição pela primeira vez, sua mensagem central pode ser resumida em uma expressão que atravessa seus fundamentos: “fé no hoje”.

 

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