Usar mel na cabeça ou em simpatias pode bloquear seus caminhos, alerta Mãe Sara Oni

Criadora do Cinzambi explica por que o ingrediente associado à doçura nem sempre traz harmonia no campo espiritual

Na tentativa de recuperar um amor ou acalmar um relacionamento, muita gente recorre ao mel. A associação parece simples: se é doce, deve ajudar a adoçar os sentimentos. Mas, segundo Mãe Sara Oni, criadora do Cinzambi, essa lógica não se aplica a todas as pessoas quando o assunto é espiritualidade.

“O mel não é para todas as pessoas”, afirma a mãe de axé. Em sua compreensão religiosa, um ingrediente usado para atrair harmonia pode ter um significado diferente conforme a ligação de cada pessoa com os Orixás. Antes de pensar no resultado desejado, ela considera necessário compreender quem receberá aquele elemento e se ele é adequado à sua história espiritual.

Um dos exemplos envolve Pai Oxóssi. Segundo Mãe Sara Oni, o mel pode trazer enfraquecimento espiritual para quem tem esse Orixá em sua coroa. Ela também explica que, em filhos de Logun Edé que estejam sem equilíbrio e cuidado espiritual, o ingrediente pode despertar ira e fúria, em vez da tranquilidade procurada.

“O mel, na cabeça de pessoas erradas, traz encrenca, ira e fúria”, declara, referindo-se a quem possui restrições espirituais ao elemento.

O cuidado, segundo ela, também passa pelo momento vivido e pela finalidade da prática. Uma receita compartilhada nas redes sociais não leva em conta essas diferenças. O fato de o mel fazer parte de um ritual religioso não significa, em sua orientação, que possa ser usado livremente em qualquer simpatia.

Mãe Sara Oni já recebeu diversos relatos de pessoas que buscaram uma reconciliação com práticas da internet e perceberam um afastamento ainda maior. Para ela, a dor de uma separação pode alimentar a pressa por respostas e fazer com que promessas de amor pareçam mais seguras do que realmente são.

Sua orientação é procurar uma liderança preparada antes de reproduzir esses procedimentos. Na visão da mãe de axé, a espiritualidade exige cuidado com a própria história e com a vida do outro, algo que uma receita pronta não consegue oferecer.

Sobre Mãe Sara Oni

Sara Oni é fundadora do Cinzambi, religião estabelecida em 2016, que tem como fundamentos a ancestralidade, o culto aos Orixás e a aproximação entre o ser humano e a espiritualidade. A tradição valoriza princípios como respeito, amor, disciplina, liberdade e responsabilidade, além da chamada “fé no hoje”, que destaca a importância de viver a espiritualidade no presente.

 

Instagram: @maesaraonioficial