O desafio das empresas deixou de ser planejar

Planejamento estratégico falha quando empresas não conseguem conectar liderança, operação e execução

Grande parte das empresas não sofre pela falta de metas. O problema está na dificuldade de transformar direcionamento estratégico em execução consistente.

Na prática, muitas organizações possuem objetivos definidos, mas enfrentam falhas de alinhamento entre liderança, equipes, processos e tomada de decisão. O resultado costuma aparecer em forma de retrabalho, prioridades desalinhadas, excesso de urgências e dificuldade de crescimento sustentável.

 

Para Mayara Aguilera, gerente de projetos e portfólios da Dom, um dos principais erros das empresas é iniciar o planejamento estratégico sem um diagnóstico real da operação.

“Existe uma tendência de construir planejamento olhando apenas para meta e crescimento, mas sem analisar maturidade operacional, capacidade de execução, gargalos internos e nível de alinhamento entre as áreas.

Sem esse diagnóstico, a estratégia dificilmente se sustenta na prática.”
Segundo uma pesquisa da Harvard Business Review, apenas 20% das estratégias corporativas são executadas com sucesso, enquanto os principais fatores de falha estão relacionados à execução, comunicação e ausência de acompanhamento contínuo.

Para Mayara, esse cenário acontece porque muitas empresas ainda tratam planejamento estratégico como um evento isolado, e não como um processo de gestão contínua.

“Muitas vezes o planejamento acontece em reuniões pontuais, mas não existe desdobramento claro das ações, definição de responsáveis, indicadores de acompanhamento ou monitoramento da evolução. A estratégia fica concentrada na liderança e não chega de forma estruturada na operação.”

Ela destaca que um planejamento eficiente precisa conectar cinco pilares principais: objetivo alinhado ao propósito do negócio, diagnóstico operacional, plano de ação estruturado, engajamento das equipes e monitoramento contínuo.

“Quando a empresa não trabalha esses pontos em conjunto, a tendência é que cada área passe a operar com prioridades diferentes. Isso gera perda de produtividade, aumento de retrabalho e decisões tomadas no modo reativo.”
Outro fator recorrente, segundo Mayara, está na dificuldade de comunicação entre liderança e equipes.

Dados da McKinsey & Company apontam que empresas com comunicação interna eficiente podem ter aumento de até 25% na produtividade das equipes. Para ela, isso reforça que estratégia depende diretamente de clareza operacional e alinhamento interno.

“Não basta definir metas no nível estratégico. As pessoas precisam entender contexto, prioridade e impacto da execução dentro do negócio. Quando o time não entende a direção, a operação começa a funcionar apenas apagando incêndios.”

Ela também observa que o avanço da tecnologia e da inteligência artificial aumentou a necessidade de adaptação organizacional, exigindo processos mais estruturados e capacidade analítica das empresas.

“A tecnologia acelera processos, mas não substitui organização, governança e tomada de decisão. Empresas que não desenvolverem visão estratégica e capacidade de adaptação terão dificuldade para sustentar competitividade nos próximos anos.”

Para Mayara, o planejamento estratégico atual exige menos foco em documentos extensos e mais capacidade de execução, acompanhamento e revisão contínua de rota.
“Estratégia eficiente não é a que parece mais complexa no papel. É a que consegue conectar propósito, pessoas, operação e execução de forma clara dentro da rotina da empresa.”

Fontes:

Harvard Business Review em parceria com a Brightline Initiative.

The Social Economy: Unlocking Value and Productivity Through Social Technologies”, do McKinsey Global Institute.