Os 5 erros mais comuns que as pessoas cometem quando se deparam com uma emergência médica

Dicas da paramédica Priscila Currie, que trabalha em Londres, na Inglaterra. Confira!

Quando alguém passa mal na nossa frente, o cérebro humano entra em um modo extremamente primitivo de sobrevivência. É por isso que, mesmo tentando ajudar, muitas pessoas acabam tomando decisões impulsivas, movidas pelo desespero, por mitos populares ou simplesmente pela falta de preparo.

Como paramédica do serviço de emergência 999 em Londres, Priscila Currie afirma que já entrou em centenas de casas onde familiares estavam desesperados tentando salvar alguém.
“Muitas pessoas querem ajudar. O problema é que, sem orientação correta, algumas atitudes podem piorar ainda mais a situação”, ressalta a paramédica.

 

A seguir, ela explica os erros mais comuns que presencia em emergências reais e o que realmente deveria ser feito.

1. Tentar segurar a língua de alguém que está convulsionando
Esse ainda é um dos mitos mais perigosos e mais difundidos sobre primeiros socorros.
Muitas pessoas acreditam que alguém, durante uma convulsão, pode “engolir a própria língua”. Por isso, tentam colocar objetos dentro da boca da vítima ou até puxar sua língua para fora.
“Eu já vi pessoas perderem literalmente a ponta do dedo porque o paciente mordeu durante a crise convulsiva”, relata Priscila.

O que fazer:

• Nunca coloque absolutamente nada dentro da boca de alguém que está convulsionando.
• O correto é afastar objetos perigosos ao redor da vítima, proteger sua cabeça contra impactos e aguardar a crise passar.
• Depois, a pessoa deve ser colocada de lado até a chegada da ajuda.

2. Não fazer massagem cardíaca por medo de machucar a vítima

Muita gente deixa de iniciar uma massagem cardíaca porque tem medo de quebrar costelas ou machucar a pessoa.

Mas, durante uma parada cardíaca, a vítima está sem circulação sanguínea. Sem intervenção rápida, ela vai morrer.

“Costelas quebradas podem cicatrizar. A morte não”, enfatiza a especialista.

Segundo Priscila, a massagem cardíaca precisa ser forte e rápida para funcionar corretamente.
Em média, são realizadas entre 100 e 120 compressões por minuto, pressionando aproximadamente um terço da profundidade do tórax da vítima. Em adultos, isso geralmente corresponde a cerca de 5 a 6 centímetros, dependendo do tamanho da pessoa.

As mãos devem ficar posicionadas uma sobre a outra, no centro do peito, com os braços esticados e o peso do corpo sendo usado para realizar as compressões corretamente.

“Não existe forma de aprender massagem cardíaca de maneira adequada apenas lendo um texto. O ideal é fazer um curso de primeiros socorros com treinamento prático”, explica a paramédica.

3. Ter medo de usar o desfibrilador

Outro erro extremamente comum é acreditar que o desfibrilador pode dar choque em qualquer pessoa ou até em quem está tentando ajudar.

Por medo, muitas pessoas deixam de usar um equipamento capaz de salvar vidas em poucos minutos.

“O desfibrilador foi desenvolvido justamente para ser utilizado por leigos. Ele orienta tudo por comando de voz”, afirma Priscila.

A paramédica explica que o aparelho só aplica choque quando realmente necessário e informa exatamente o que deve ser feito em cada etapa.

O que fazer:

• Ligue o aparelho e siga as instruções de voz com calma.
• O desfibrilador avisa quando ninguém deve tocar no paciente.
• Quando utilizado corretamente, o risco para quem está ajudando é extremamente baixo.

4. Jogar água no rosto de alguém inconsciente

Muita gente ainda acredita que jogar água no rosto pode fazer uma pessoa inconsciente “acordar”.

Além de não resolver a causa do problema, isso pode aumentar o risco de complicações.

“Dependendo da situação, você pode provocar aspiração e piorar ainda mais o quadro”, alerta a especialista.

O que fazer:

• O mais importante é verificar se a pessoa está respirando normalmente e chamar ajuda imediatamente.
• Se ela estiver respirando, deve ser colocada em posição lateral de segurança até a chegada do socorro.

5. Usar receitas caseiras em queimaduras e feridas

Pasta de dente em queimadura.
Borra de café em ferida.
Açúcar em sangramento.
Apesar da enorme quantidade de informação disponível atualmente, essas práticas ainda continuam muito comuns.

“O problema é que essas substâncias podem contaminar ainda mais a lesão e aumentar o risco de infecção”, ressalta Priscila Currie.

O que fazer:

• Queimaduras devem ser resfriadas com água corrente fria por aproximadamente 20 minutos.
• Feridas devem ser protegidas com material limpo.
• Receitas caseiras não devem ser utilizadas.

Para Priscila, aprender primeiros socorros não significa substituir profissionais da saúde.
Significa estar preparado para agir corretamente nos minutos mais importantes de uma emergência.

“Enquanto a ambulância está chegando, alguém preparado pode fazer toda a diferença”, finaliza a paramédica.